Melanoma: câncer que levou à morte do neurocirurgião Jacinto Lay é o mais agressivo entre os tumores de pele, explica especialista
21/07/2026
(Foto: Reprodução) Neurocirurgião Jacinto Lay morre aos 52 anos em São Paulo
O melanoma, tipo de câncer de pele que provocou metástase para o tronco cerebral e levou à morte do neurocirurgião Jacinto Lay, aos 52 anos, é considerado o mais agressivo entre os tumores de pele por causa da alta capacidade de se espalhar para outros órgãos, segundo o dermatologista Thales Bastos, especialista em câncer de pele.
LEIA TAMBÉM: Neurocirurgião Jacinto Lay será velado nesta terça-feira (21) em Teresina
Embora represente apenas cerca de 4% de todos os casos de câncer de pele, o melanoma é responsável pela maior parte das mortes causadas pela doença.
"O melanoma é o terceiro tipo mais comum de câncer de pele, mas é o mais grave porque tem chance de dar metástase precocemente, ou seja, de se espalhar para outros lugares, como cérebro, pulmão e fígado. Quando isso acontece, o prognóstico da doença muda completamente", explicou o médico.
✅ Siga o canal do g1 Piauí no WhatsApp
Segundo o especialista, diferentemente dos outros tipos mais frequentes de câncer de pele, que costumam permanecer restritos ao local onde surgem, o melanoma pode se disseminar mesmo quando a lesão inicial ainda é pequena.
"Às vezes uma lesão pequena já pode se espalhar para outro lugar. Os outros cânceres de pele podem até formar tumores grandes, exigir cirurgias extensas, mas raramente dão metástase", afirmou.
Neurocirurgião Jacinto Lay (à esq.) e melanoma ilustrativo (à dir.)
Reprodução
Como identificar um melanoma
Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, o melanoma nem sempre aparece em áreas constantemente expostas ao sol.
Segundo Thales Bastos, ele é comum em regiões cobertas do corpo, como tronco e coxas, o que torna importante observar sinais em toda a pele.
O especialista orienta atenção à chamada regra do ABCDE, usada para identificar pintas suspeitas:
A – Assimetria;
B – Bordas irregulares;
C – Cores diferentes na mesma lesão;
D – Diâmetro maior que 6 milímetros;
E – Evolução, quando a pinta cresce ou muda de aparência.
"Quando um sinal apresenta essas características, ele deve ser avaliado por um dermatologista. Examinamos a lesão com um dermatoscópio para decidir se é necessário removê-la e realizar uma biópsia", explicou.
O médico ressaltou ainda que cerca de um terço dos melanomas surge a partir de pintas que a pessoa já possuía, reforçando a importância do acompanhamento dermatológico periódico.
Quem tem maior risco
Entre os principais fatores de risco estão:
histórico familiar de melanoma;
já ter tido melanoma anteriormente;
pele clara;
exposição intensa e prolongada ao sol ao longo da vida.
A principal forma de prevenção continua sendo a proteção contra a radiação solar.
"É importante evitar exposição ao sol entre 9h e 16h, usar protetor solar diariamente e reaplicá-lo a cada três ou quatro horas. Além disso, todas as pessoas deveriam fazer pelo menos uma avaliação anual dos sinais com um dermatologista", recomendou.
Como ocorre a metástase
Segundo o especialista, quando o melanoma cresce em profundidade na pele, aumenta o risco de que células cancerígenas alcancem a corrente sanguínea e se espalhem pelo organismo.
Em geral, as primeiras metástases atingem os linfonodos próximos ao tumor. Depois, a doença pode alcançar órgãos como pulmão, fígado e cérebro.
Quando o cérebro é afetado, podem surgir sintomas como:
dores de cabeça persistentes;
confusão mental;
perda de memória;
dificuldade para falar;
fraqueza em um lado do corpo;
alterações na visão;
perda de equilíbrio.
"Por isso o diagnóstico precoce é tão importante. Quando o melanoma ainda está restrito à pele, o tratamento costuma ser apenas cirúrgico. Já quando existe metástase, o paciente precisa de acompanhamento com um oncologista e pode necessitar de imunoterapia, terapias-alvo e outros medicamentos", explicou Thales Bastos.
Segundo ele, os avanços desses tratamentos melhoraram a expectativa de vida de muitos pacientes, mas o prognóstico continua mais reservado quando a doença já se espalhou para outros órgãos.
VÍDEOS: assista aos vídeos mais vistos da Rede Clube